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Centro Universitário São Camilo conquistou o 1º lugar (categoria ouro) no Prêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE) 2025, com o projeto de extensão universitária “Escola Camiliana de Direitos Humanos”. A iniciativa destacou-se entre as 90 práticas inscritas, consolidando-se como referência em inovação acadêmica e compromisso social no âmbito da educação superior. Promovido anualmente pelo GEduc, Grupo de Estudos Educacionais, o PNGE reconhece as melhores práticas de gestão e desenvolvimento institucional no cenário educacional brasileiro. A conquista reforça o compromisso do Centro Universitário São Camilo com a formação cidadã, a valorização dos direitos humanos e a promoção de uma educação superior alinhada aos princípios da responsabilidade social.
Para compreender melhor os objetivos, impactos e o reconhecimento dessa importante iniciativa, convidamos o prof. Luciano de Oliveira, docente da equipe de Extensão responsável pelo projeto, e a prof.ª Dra. Márcia Maria Gimenez, coordenadora da Extensão Universitária, para um diálogo sobre o projeto e o que essa conquista representa para a instituição.

Escola Camiliana de Direitos Humanos
Quais são os principais objetivos da Escola Camiliana de Direitos Humanos?
A Escola Camiliana de Direitos Humanos (ECDH) tem como objetivo principal fomentar a transformação social e a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva, mediante a capacitação de discentes e membros da comunidade na defesa dos direitos humanos, com ênfase na defesa e no empoderamento feminino frente à violência de gênero e às desigualdades estruturais que afetam a nossa sociedade.
Para alcançar esse objetivo, buscamos integrar teoria e prática para formar agentes multiplicadores de conhecimento, capazes de atuar na redução das desigualdades e na promoção de uma cultura pautada pelo respeito, pela equidade de gênero e pela solidariedade, valores essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
Nesse contexto, a ECDH desenvolve vários objetivos específicos, que incluem:
- Promover o enfrentamento da violência de gênero, ao capacitar participantes para identificar e combater situações de opressão, como vemos no subprojeto Promotoras Legais Populares, cujo objetivo é empoderar mulheres para que se tornem agentes de mudança em suas próprias comunidades.
- Combater a pobreza menstrual, assegurando acesso a produtos de higiene e educação sobre saúde menstrual, conforme realizado no subprojeto Dignidade Menstrual, que tem como meta reduzir as desigualdades de gênero e promover a saúde e o bem-estar das mulheres.
- Fortalecer a autoestima e o bem-estar de mulheres em tratamento de câncer ou com alopecia, por meio de doações e ações de conscientização, como acontece no subprojeto Amor em Mechas, que visa fomentar a solidariedade e o apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.
- Capacitar mulheres vulneráveis como agentes de mudança, transformando-as em multiplicadoras de conhecimento sobre direitos humanos, violência de gênero e saúde, como ocorre no subprojeto ECDH com ELAS, cujo propósito é empoderar mulheres para que se tornem líderes em suas comunidades.
Em suma, esses objetivos alinham-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 4 (Educação de Qualidade), o ODS 5 (Igualdade de Gênero) e o ODS 10 (Redução das Desigualdades), reforçando o nosso compromisso institucional com a justiça social e a formação de profissionais humanizados que possam contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Como a comunidade acadêmica (alunos, professores e colaboradores) tem participado do projeto?
A comunidade acadêmica do Centro Universitário São Camilo desempenha um papel ativo e fundamental na Escola Camiliana de Direitos Humanos (ECDH), atuando em diversas frentes para garantir a execução e o impacto dos nossos subprojetos. Nossos alunos dos cursos de graduação participam diretamente dos subprojetos, sendo capacitados para atuar como promotores de transformação social, como ocorre no subprojeto Promotoras Legais Populares, que desenvolve projetos extensionistas voltados à defesa dos direitos das mulheres.
Além disso, a equipe técnica da Extensão e coordenação realizam a estruturação metodológica e a supervisão das atividades, integrando ensino, pesquisa e extensão de acordo com os princípios da educação popular de Paulo Freire, enquanto a nossa equipe técnico-administrativa e os discentes do Programa Bolsa Talentos fornecem suporte operacional e logístico, viabilizando a realização dos projetos pretendidos.
Por meio dessas ações, a nossa comunidade acadêmica fortalece parcerias externas, como o Instituto Ela e o Instituto Amor em Mechas, expandindo o alcance territorial das nossas ações em comunidades vulneráveis, como Paraisópolis e Heliópolis, e, com essa abordagem participativa, discentes e docentes colaboram na elaboração de metodologias ativas, garantindo que as nossas iniciativas respondam às demandas reais do território.
Dessa forma, essa dinâmica coletiva consolida a ECDH como uma prática extensionista de referência e reforça o nosso compromisso institucional com a formação de cidadãos críticos e socialmente responsáveis, capazes de promover mudanças concretas.
Qual tem sido o impacto percebido até o momento, tanto na comunidade acadêmica quanto externa?
A ECDH desenvolve ações que geram impacto em diferentes dimensões. Inicialmente, os nossos discentes envolvidos nos subprojetos desenvolvem competências técnicas e socioemocionais, como empatia, liderança e capacidade de mediação de conflitos.
Em seguida, reforçamos o nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, evidenciado por certificações e ações concretas que nos permitem ampliar o alcance das nossas iniciativas e maximizar o impacto positivo em comunidades vulneráveis, promovendo mudanças significativas e duradouras.
Durante a execução do projeto, mulheres de comunidades vulneráveis são capacitadas em temas como violência de gênero e dignidade menstrual, tornando-se agentes de mudança em suas comunidades. Ao mesmo tempo, são realizadas ações complementares, como a distribuição de kits de higiene menstrual e a confecção de perucas para pacientes com câncer.
Importância do PNGE no cenário educacional brasileiro

(da esq. para a dir.: Prof. Dr. Carlos Ferrara Junior; Profa. Dra. Celina Camargo Bartalotti; Profa. M.a. Silvia Novaes Barreto; Profa. Dra. Márcia Maria Gimenez; Pe. João Batista Gomes de Lima)
Como o Prêmio Nacional de Gestão Educacional é percebido no meio acadêmico?
No cenário acadêmico, o PNGE é percebido como um selo de qualidade e inovação que confere credibilidade às instituições premiadas, como o Centro Universitário São Camilo, que ganha visibilidade nacional e atesta seu compromisso com a excelência.
Nesse caso, o prêmio incentiva a expansão extensionista, pois os nossos projetos tornam-se estudo de casos em programas de pós-graduação e pesquisas acadêmicas, especialmente nas áreas de gestão educacional e direitos humanos, como a metodologia da nossa Escola Camiliana de Direitos Humanos (ECDH), ao mesmo tempo em que a participação em editais como o PNGE é frequentemente associada a indicadores de qualidade.
Quem pode participar e quais são os critérios de avaliação?
O Prêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE) 2025 esteve aberto a instituições de ensino e empresas de produtos e serviços educacionais que atendessem a critérios específicos. Para participar, era necessário ter uma prática implantada há pelo menos seis meses e ainda em vigor, não ter sido premiada anteriormente com a mesma prática, assinar o termo de autenticidade e ter um representante inscrito no GEduc 2025, além de respeitar os prazos estabelecidos.
A comissão avaliadora do PNGE analisou essas práticas com base em critérios abrangentes, que incluíam eficácia na gestão educacional, liderança, foco, resultados financeiros e acadêmicos, satisfação e impacto social, bem como lições aprendidas e continuidade, de modo a identificar e reconhecer as melhores práticas no setor educacional.
Como foi o processo de inscrição e seleção do projeto Escola Camiliana de Direitos Humanos?
O projeto foi inscrito no Prêmio Nacional de Gestão Educacional (PNGE) 2025, na categoria Responsabilidade Social, segmento Ensino Superior, e, cumprindo as diretrizes do regulamento, entregamos um formulário no dia 31/01/2025. Nesse documento, explicamos que o projeto, iniciado com um diagnóstico de violência contra mulheres no Ipiranga, visa promover justiça social e empoderamento feminino, alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), beneficiando discentes, colaboradores e comunidades vulneráveis de Paraisópolis e Heliópolis. Ele inclui subprojetos como Promotoras Legais Populares, Dignidade Menstrual, Amor em Mechas e ECDH com ELAS, com resultados mensuráveis, como a capacitação de discentes e impacto comunitário, e temos planos de continuidade para expandir e integrar iniciativas.
A seleção foi realizada em três fases. A primeira consistiu na análise e deferimento pela comissão avaliadora do PNGE — e não pela nossa comissão interna — que considerou a localização do Centro Universitário São Camilo em São Paulo e o alinhamento do projeto com a categoria Responsabilidade Social, cuja finalidade é promover o bem-estar comunitário mediante ações colaborativas que visam ao enfrentamento da violência de gênero, ao combate à pobreza menstrual e ao apoio a mulheres em tratamento oncológico ou com alopecia.
Na segunda fase, especialistas avaliaram o relatório, destacando a origem da ECDH em um diagnóstico de violência contra mulheres, sua abordagem inspirada em Paulo Freire e seu impacto em discentes, colaboradores e comunidades de Paraisópolis e Heliópolis, por meio de workshops, campanhas de arrecadação e projetos extensionistas liderados pela Extensão Comunitária, com apoio da nossa Pró-Reitoria Acadêmica.
Por fim, na terceira fase, a comissão do PNGE selecionou as finalistas e premiou o projeto ECDH do nosso Centro Universitário com a medalha de ouro em 26/03/2025, por sua excelência em promover justiça social, igualdade de gênero e formação cidadã, respaldada por parcerias com organizações como o Instituto Amor em Mechas e o Instituto Ela.

O prêmio PNGE trouxe maior visibilidade para o projeto? De que forma?
A premiação do nosso projeto no PNGE foi um marco significativo, consolidando a nossa relevância no cenário educacional brasileiro e abrindo novas possibilidades de impacto social.
O selo de excelência, conferido por especialistas renomados, conferiu credibilidade ao projeto da nossa instituição, estabelecendo-a como uma referência em responsabilidade social e servindo como modelo para outras instituições e organizações interessadas em replicar a nossa metodologia.
– Projeto de Extensão conquista destaque nacional em Gestão Educacional
Além disso, a exposição no congresso GEduc suscitou debates sobre o papel da educação na promoção da igualdade de gênero e dos direitos humanos, podendo impulsionar o nosso crescimento mediante o fortalecimento de parcerias, atração de novos colaboradores e a expansão da nossa rede de apoio, além de abrir caminho para a nossa atuação em novas comunidades e maior visibilidade.
Internamente, o prêmio impulsionou o engajamento da nossa comunidade acadêmica, gerou orgulho e comprometimento, e intensificou a participação de estudantes e professores, fortalecendo a iniciativa e seu impacto.
Com isso, a premiação no PNGE consolidou o nosso projeto como uma iniciativa apta a impactar políticas públicas e práticas educacionais, evidenciando resultados efetivos em áreas como o combate à violência de gênero e empoderamento das mulheres, reconhecendo o trabalho realizado e pavimentando o caminho para o nosso desenvolvimento futuro.
Perspectivas futuras
Quais são os próximos passos para a Escola Camiliana de Direitos Humanos?
Estamos nos preparando para ampliar nosso alcance e diversificar nossa audiência, abordando os direitos humanos de forma mais ampla e inclusiva, pois, ao mesmo tempo em que continuamos apoiando mulheres em situação de vulnerabilidade, pretendemos expandir nossa atuação para incluir gestantes e mulheres idosas, considerando as especificidades de cada grupo e as intersecções com questões étnico-raciais.
Além disso, buscaremos envolver os homens nesse processo de transformação social, incentivando-os a participar do nosso projeto e conscientizando-os sobre a importância de respeitar e promover os direitos das mulheres, algo essencial para prevenir a violência de gênero e construir uma sociedade mais justa e igualitária.
Com essa abordagem mais ampla e inclusiva, pretendemos fortalecer nossas ações e ampliar nosso impacto, promovendo a igualdade de gênero e os direitos humanos em diferentes contextos e comunidades, mediante o aperfeiçoamento e adaptação de nossas metodologias educacionais para atender às necessidades específicas de cada grupo beneficiado, considerando as intersecções de gênero, raça, idade e outras dimensões relevantes.

De que maneira a conquista do PNGE pode impulsionar o surgimento de novos projetos de extensão universitária?
A conquista do Prêmio Nacional de Gestão Educacional pode impulsionar o surgimento de novos projetos de extensão universitária em nossa instituição, ao fomentar um ambiente de inovação e excelência. Isso motivará nossa equipe a desenvolver ideias e iniciativas mais eficazes e impactantes. Além disso, estimulará nosso investimento em novas áreas de atuação, como o desenvolvimento de uma educação baseada em nossas experiências. Com isso, fortaleceremos nossa capacidade de promover a extensão universitária e gerar benefícios para a sociedade, incentivando a criatividade, a inovação e a excelência institucional e abrindo oportunidades para parcerias e colaborações enriquecedoras.
Como essa iniciativa pode inspirar outras instituições de ensino superior a desenvolverem iniciativas de extensão com foco em transformação social?
A iniciativa pode inspirar outras instituições de ensino superior a desenvolver projetos de extensão com impacto social, compartilhando nossos aprendizados e experiências bem-sucedidas, que demonstram a eficácia de nossos projetos de extensão universitária em promover mudanças positivas e capacitar profissionais para gerar transformações sociais significativas. Isso fomenta uma cultura de responsabilidade social e colaboração entre as instituições, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa.
Para finalizar, que conselhos ou inspirações gostariam de compartilhar com quem busca transformar a educação em uma ferramenta de impacto social positivo?
Acreditamos que a educação pode ser uma ferramenta poderosa para gerar impacto social positivo, e nossa experiência nos mostrou que projetos de extensão universitária podem ser fundamentais para promover mudanças significativas.
Portanto, nossa dica é: invista em projetos que promovam a responsabilidade social e a colaboração entre instituições, valorize a partilha de experiências e aprendizados bem-sucedidos, e desenvolva iniciativas que capacitem pessoas a gerar transformações sociais relevantes, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa.

Entrevistados
Luciano Batista de Oliveira
lattes.cnpq.br/9424905830564762
Marcia Maria Gimenez
lattes.cnpq.br/4906596692216247







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