O
Núcleo de Acessibilidade Pedagógica (NAPe) tem como objetivo apoiar estudantes e professores do Centro Universitário São Camilo em direção a uma educação equitativa e de qualidade, por meio de programas que os inserem na vida acadêmica e favorecem o processo de ensino e aprendizagem, formando uma rede de suporte para fomentar a educação inclusiva.
O NAPe é um órgão executivo da Administração Superior, subordinado à Pró-Reitoria Acadêmica. Atende aos princípios dos direitos humanos, da educação para todos e da educação inclusiva, sempre em busca de favorecer a construção do conhecimento e o direito à cidadania com oportunidades equânimes.
O núcleo atende alunos com deficiência e transtornos do desenvolvimento e de aprendizagem, objetivando dar a eles as mesmas oportunidades de aprendizagem oferecidas a todos os alunos, com base nos princípios da inclusão referendados na Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) e no ensino equitativo. Para isso, contamos com uma equipe multiprofissional formada por professores e colaboradores com diferentes formações – fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, psicopedagogia, pedagogia, neuropsicologia e medicina. Além disso, temos a participação ativa de discentes, como monitores e aprendizes, que contribuem para um ambiente de aprendizado contínuo e colaborativo.
A equipe avalia as necessidades pedagógicas individuais a partir de entrevistas realizadas com o aluno e faz indicações de estratégias. Após ciência e concordância da coordenação de curso, essas estratégias são enviadas semestralmente aos professores dos alunos por meio do Protocolo de Estratégias Pedagógicas Individualizadas (PEPI). Além disso, há atendimento com o professor de referência sempre que necessário e forms de acompanhamento (feedback) semestral.



O Apoio Psicológico e Psicopedagógico (Apoio Psi) atua como um dos serviços institucionais de apoio ao discente, intervindo em processos de inclusão e permanência. Insere-se no escopo da Pró-Reitoria Acadêmica, sob a gestão da Coordenação Geral de Cursos.
Ao longo dos anos, o núcleo tem se constituído como um espaço de humanização. Suas ações estão alinhadas aos marcadores de garantia à saúde da população, propostos pela Constituição de 1988 e seus desdobramentos: Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares – Lei nº 14.819/24; Programa Saúde na Escola – Lei nº 17.437/20; Política Nacional de Saúde Mental – Lei nº 10.216/02; Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental – Lei nº 14.831/2024. Ou seja, a atuação está embasada na perspectiva do desenvolvimento integral do aluno e apresenta interfaces com outros núcleos institucionais dedicados à inclusão. Entretanto, o foco é a contínua construção do estado de bem-estar (OMS), por meio de intervenções próprias de seu saber técnico-científico.
Considerando a tradição de nossa instituição na formação de profissionais para o cuidado de pessoas, aspectos como as percepções do discente sobre si e sobre seu cotidiano e a capacidade de manejo de emoções são temas que devem ser trabalhados ao longo de seu amadurecimento pessoal. Deseja-se que o aluno camiliano seja bem-sucedido tanto academicamente quanto no atendimento às demandas da sociedade de seu tempo. Porém, muitas vezes, fatores biopsicossociais fazem com que o ingresso em um curso superior se sobreponha a outras crises. Manifestações frequentes e limitantes de ansiedade e desesperança são alguns indicativos de que o aluno vivencia um momento de sofrimento psíquico agravado. A dimensão clínica pode auxiliar no enfrentamento desses dilemas e de dores que perpassam também a população estudantil. É comum que o atendimento oferecido na universidade seja o primeiro contato que os estudantes têm com cuidados em saúde mental e suas variáveis, o que permite um olhar crítico sobre a realidade brasileira, cuja rede tem se mostrado insuficiente para garantir o acesso a esse tipo de assistência.
A prontidão para o acolhimento é um dos principais recursos técnicos utilizados pela equipe, atualmente composta por três psicólogos, um médico psiquiatra e uma psicopedagoga.
A partir da escuta sensível e qualificada (entrevista inicial), o aluno é convidado a participar ativamente de seu processo, desde o estabelecimento de um foco (objetivo principal) até a elaboração de um plano individual de melhorias (composto por protocolos de atendimento que podem variar, na maioria dos casos, entre quatro e oito sessões).
– Entre núcleos e desafios: quando optar pelo Apoio Psicológico ou NAPe?
Incentiva-se o protagonismo do sujeito, principalmente em sua relação com o meio estudantil, aprimorando seu comportamento frente a tarefas universitárias e investindo em atividades e reflexões que contribuam para o desenvolvimento de competências e habilidades.
A clínica ampliada é uma prática que inspira nosso serviço a estabelecer conexões internas, seja em reuniões com docentes e coordenadores de curso, seja no acionamento de outras áreas institucionais (como serviço social, NAPe, monitorias, centros acadêmicos e ligas). Quando as demandas dos alunos transcendem o escopo da universidade, podem ser necessários encaminhamentos externos e interconsultas com médicos especialistas e terapeutas.
Na dimensão da saúde mental comunitária, para além das intervenções individuais, a instituição de ensino é considerada território e campo de interações sociais, cenário no qual os fenômenos estudantis acontecem. Metaforicamente, as próprias estruturas sociais, suas atividades e as relações interpessoais podem se beneficiar de ações coletivas, como as que vêm sendo realizadas em parceria com o Núcleo de Direitos Humanos e Saúde Mental, objetivando incentivar redes de convivência, solidariedade e práticas de suporte por pares. Um exemplo dessas ações é a Escola Camiliana de Escutadores, que, ao longo de 2024, junto a alunos de diversos cursos, trabalhou num curso introdutório sobre o manejo de sintomas em saúde mental e suporte por pares, contando com o apoio de docentes do curso de Medicina.
Ainda no incentivo à convivência comunitária e à psicoeducação, continuamente são ofertadas, de modo gratuito e em horários diversificados, on-line e presencialmente, as seguintes propostas: rodas de conversa (“Descomplicando a ansiedade”), oficinas (“Oficina de escrita: dramaturgia do sonho, gesto e corpo”; “Keep calm: entrei na faculdade”; “Hora das provas: como preparar o seu emocional”) e atendimentos em grupo (apoio psicopedagógico para aprimoramento das estratégias de estudos).





O escopo de atuação mais amplo do Apoio Psicológico e Psicopedagógico é trabalhar em prol da cultura para a saúde mental. Nesse sentido, são estabelecidas diversas parcerias internas com outros setores e núcleos institucionais (administrativos e acadêmicos). Exemplos bem-sucedidos foram: a palestra “Saúde mental na jornada do viajante” (reuniões pré-embarque para intercambistas e familiares, junto ao Núcleo de Relações Internacionais do Centro Universitário São Camilo); mediação de encontros sobre saúde mental, inclusão e diversidade no I Ciclo de Educação Continuada Docente (parceria com o NAPe e o Núcleo de Educação Continuada Docente); aulas sobre primeiros socorros emocionais no curso de formação de socorristas (parceria com o setor de Desenvolvimento de Pessoas e Centro de Simulação Realística); e participação no podcast Biblio Connect, promovido pela equipe das Bibliotecas São Camilo, com o tema saúde mental.
A seguir, informações das principais atividades de ambos os serviços, com suas diferenciações de público e modo de organizar suas ações.
Principais pontos que organizam a distribuição dos atendimentos entre as equipes do NAPe e do Apoio Psicológico e Psicopedagógico
| NAPe | Apoio Psi | |
| Para quem? | Alunos com deficiências e transtornos do neurodesenvolvimento. | Discentes que apresentem demandas emocionais, comportamentais e de rendimento acadêmico; comunidade discente em geral; docentes e coordenadores (interfaces inclusivas). |
| O que faz? | Oferece acessibilidade pedagógica por meio de protocolo de estratégias. | Acolhimento, orientações e intervenções breves e focais; encaminhamentos internos e externos; clínica ampliada (parcerias com outros setores institucionais). |
| Laudo | Necessita. | Não necessita. |
| Como se inscrever | Por meio do Portal do Aluno (MENU –SECRETARIA– REQUERIMENTOS –INCLUSÃO NO NAPe). | O link para a página do serviço está no Portal do Aluno. Na página específica, o link “MARCAR SUA ENTREVISTA AQUI” permite preencher um formulário com breve descrição da demanda e horários disponíveis para o agendamento on-line ou presencial. O acesso também pode ocorrer por encaminhamento dos docentes, coordenadores, colegas e outros funcionários (por exemplo, socorristas). |
| Processo | Entrevista inicial com o aluno para compreender suas necessidades e, a partir disso, realizar as indicações necessárias. Acompanhamento do discente pelo professor de referência até o término do curso. | Entrevista inicial, estabelecimento do protocolo de atendimento individual breve e focal (4 a 8 sessões), interconsultas internas e externas (matriciamento quando necessário e com a anuência do aluno), encaminhamentos internos e externos. |
| Comunicação | Via chat do Teams ou pelo e-mail acessibilidade: pedagogica@saocamilo-sp.br | Via formulário disponível no Portal do Aluno, via chat nos veículos de divulgação do serviço (Instagram: @apoiopsi_saocamilo), via chat no Teams e pelo WhatsApp do Apoio Psicológico (exceções). |
Por atenderem necessidades diversas trazidas pela população discente, é importante delimitar o foco e escopo de atuação de cada núcleo, o que demanda fluxos próprios.
Apesar das diferenças, eles constituem-se como núcleos parceiros, que atuam alinhados ao paradigma da inclusão. Ou seja, promovendo a leitura mais ampla das situações-problema, transcendendo questões individuais e trabalhando para que a comunidade universitária e a sociedade, de maneira mais ampla, sejam espaços inclusivos. Ambos objetivam o respeito às singularidades e, ao mesmo tempo, o acolhimento para o sentimento de pertencimento fomentando a aprendizagem ao longo da vida e o fortalecimento das competências socioemocionais almejadas para o egresso camiliano. Em sinergia com diversos outros setores acadêmicos e administrativos, os núcleos trabalham para oferecer assistência ética e humanizada, ao lado da excelência que os faz camilianos.
Autores
Gleidis Roberta Guerra
lattes.cnpq.br/4793109360371735
Lydiane Regina Fabretti Streapco
lattes.cnpq.br/0089223927505343







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