O papel das IES para os desafios da revolução tecnológica da educação

Imagem de capa: conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA).

evolução das tecnologias é objeto de interesse e especial atenção do Centro Universitário São Camilo. Além da preocupação em manter as instalações e laboratórios sempre aparelhados com equipamentos de ponta, há outras iniciativas que envolvem não só o desenvolvimento de tecnologias, mas também as circunstâncias e impasses que permeiam sua utilização. A criação do Laboratório de Empreendedorismo e Inovação (LEISC) é uma dessas ações, bem como outras implementadas no âmbito dos cursos, especialmente na graduação.

Laboratório de Empreendedorismo e Inovação

O LEISC é um espaço institucional multidisciplinar que acolhe projetos inovadores idealizados por alunos. O laboratório orienta e direciona esses projetos ao mercado, movendo esforços para que prosperem e tornem-se produtos. Os trabalhos passam por mentorias que instigam os autores a analisarem aspectos relacionados à sua originalidade, viabilidade e aceitação mercadológica. Todavia, para além dos aspectos técnicos, há a preocupação em refletir sobre a utilização que será dada aos produtos e as possíveis consequências sociais que eles podem gerar.

Não se trata apenas de idealizar e criar produtos, mas também de tentar prever os impactos que podem ser gerados por essa inovação. Muitas descobertas e invenções que, a priori, resolvem problemas importantes, em um segundo momento geram consequências potencialmente nefastas à sociedade.

Aspectos éticos, bioéticos, legais e sociais balizam e fornecem as diretrizes que patrocinam os debates no âmbito do LEISC. É sabido que esse tipo de reflexão nem sempre é comum entre os desenvolvedores de tecnologia, mas, como instituição que prioriza o bem-estar, não seria razoável para o Centro Universitário São Camilo ignorar tal vertente.

Saúde, tecnologia e sociedade

Além do incentivo à criação de soluções, outra grande preocupação do Centro Universitário São Camilo é a maneira como os discentes se relacionam e utilizam os recursos tecnológicos, e os reflexos disso, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Recentemente, por ocasião da reestruturação das grades dos cursos de graduação, algumas disciplinas foram criadas com o intuito de levantar discussões concernentes à utilização das tecnologias.

Merece especial destaque a disciplina “Saúde, Tecnologia e Sociedade”, que faz parte das Trilhas Institucionais e é ministrada em diversos cursos. Com conteúdo bastante abrangente, a disciplina tem por objetivo compreender a sociedade a partir das transformações tecnológicas e analisar as consequências e influências da tecnologia no cotidiano das relações de trabalho no âmbito da saúde.

Nela, o aluno é considerado sob diversas perspectivas: enquanto consumidor de conteúdo, que fica exposto a informações de origem duvidosa e que precisa desenvolver senso crítico e dominar ferramentas para ter discernimento; enquanto sujeito que produz conteúdo virtual, e que precisa conhecer as regras básicas para tal; e enquanto futuro profissional que, desde já, começa a utilizar o meio virtual para emitir opiniões e replicar conteúdo técnico da sua área de atuação e que deve, portanto, saber das responsabilidades e consequências relacionadas a tal comportamento.

A Lei Geral de Proteção de Dados e as legislações que a antecederam, tal como a Constituição Federal, são contempladas no conteúdo e dão sustentação à disciplina. A cultura da vigilância é posta em destaque para iluminar aspectos essenciais à preservação da privacidade, tendo em vista que a área da saúde lida com dados considerados sensíveis e que gozam de especial proteção.

Mais do que discutir o comportamento dos profissionais na internet, tornou-se evidente a necessidade de prepará-los para atuar nesse meio, já que a tendência parece irreversível.

– O PAPEL DAS IES PARA OS DESAFIOS DA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DA EDUCAÇÃO

É crescente o número de profissionais da saúde que respondem a processos disciplinares e até judiciais que em nada se relacionam com os aspectos técnicos da profissão, mas, sim, com a inadequação dos conteúdos que divulgam na internet. Conteúdos sem comprovação científica, que expõem os pacientes e equiparam os tratamentos de saúde a meros produtos a serem vendidos indistintamente, estão entre as principais causas que fundamentam as penalizações.

Privilegiando as metodologias ativas, a disciplina convoca à reflexão na prática. Pesquisar perfis de profissionais da saúde e analisar como divulgam seus serviços é uma das atividades propostas. Além de apontar as falhas e lacunas cometidas pelos profissionais, os alunos devem elaborar conteúdos que atendam à legislação e regulamentação dos conselhos profissionais.

Os estudantes também são provocados a idealizar soluções tecnológicas que possam melhorar ou resolver problemas enfrentados pelos profissionais de saúde. Mais do que ideias, pretende-se que os potenciais produtos sejam resultados das reflexões propostas pela disciplina, que tragam evolução tecnológica e que, acima de tudo, respeitem princípios éticos e legais.

Enfim, formar profissionais capacitados a navegar pelas complexidades do mundo digital, promovendo um entendimento profundo das implicações éticas e sociais das tecnologias, é o desafio a ser enfrentado pelas instituições de ensino. O Centro Universitário São Camilo tem se esforçado para incentivar a reflexão crítica e a responsabilidade no uso das ferramentas tecnológicas, preparando seus alunos para serem não apenas criadores de conteúdo digital ou idealizadores de soluções inovadoras, mas, acima de tudo, cidadãos conscientes do impacto que exercem na sociedade, prontos para contribuir de maneira positiva e ética para com o desenvolvimento social.

Autora

Daniela Sakumoto Sriubas
lattes.cnpq.br/5423461038460754

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