Sustentabilidade: o impacto do “Programa 5Rs” na transformação verde

Sustentabilidade: o impacto do "Programa 5Rs" na transformação verde

Imagem de capa: conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA).

preocupação com a sustentabilidade torna-se premente em uma realidade marcada por mudanças climáticas irreversíveis, desastres ambientais e ações políticas que parecem ignorar as consequências socioambientais de práticas agressivas ao meio ambiente. Nesse sentido, é necessário que a sociedade se atente às tomadas de decisão de governos e órgãos internacionais, cobrando não só por medidas que sejam efetivas a partir da realidade específica de cada país, como também pelo cumprimento devido delas nos prazos previamente estipulados. 

Porém, a garantia de uma existência sustentável não se limita às macroações. Mesmo em nossas atividades mais corriqueiras do dia a dia, seria interessante que fizéssemos o exercício do “pensar sustentável”: como eu posso fazer uma coisa que preciso fazer e, ao mesmo tempo, ajudar o meio ambiente? Afinal nenhuma ação é pequena demais quando o assunto é esse! 

É nessa direção que o Centro Universitário São Camilo caminha. Com o apoio do “Programa 5Rs”, supervisionado pela profa. Dra. Ilka Schincariol Vercellino e pela equipe do Departamento de Operações, a instituição se tornou um exemplo de prática sustentável entre os grupos educacionais do país. O programa de extensão universitária incentiva a comunidade camiliana, e o público externo, a agirem de forma mais consciente em sua rotina e, também, é responsável pelas ações sustentáveis realizadas nas unidades do centro universitário. Em matéria publicada no volume de maio deste ano, a revista Em Pauta São Camilo destacou uma das iniciativas mais recentes do projeto, a “Tour com 5Rs”, focada no aprendizado sobre o manejo e descarte de resíduos eletrônicos e materiais que exigem descarte específico, além do acompanhamento de exemplos práticos empregados nos campi sobre a captação de água da chuva e modernização do sistema de iluminação. 

Leia a matéria na íntegra aqui

Para entender como o “Programa 5Rs” ganha vida dentro dos campi e inspira mudanças reais, conversamos com a profa. Dra. Ilka Schincariol Vercellino sobre a trajetória dele desde a sua criação e quais são as perspectivas para o futuro, considerando as mudanças na relação de consumo e prática da nova geração. Confira a seguir. 

A preocupação com a sustentabilidade e a qualidade de vida sempre foi uma diretriz do Centro Universitário São Camilo. O projeto de extensão universitária denominado “3Rs” era a materialização desse preceito, possuindo como essência os conceitos de redução, reutilização e reciclagem. Com a evolução das questões ambientais e a urgência em se debater o consumo excessivo de recursos, a partir de 2016, o conjunto de projetos que envolviam as questões ambientais passou a ser denominado “Programa 5Rs”, A sigla faz referência à “Política dos 5Rs”, que consiste em repensar os hábitos, recusar produtos que geram impactos, reduzir o consumo, reutilizar os materiais e reciclar os resíduos. 

A parceria vem de longa data e teve início ainda com o “Projeto 3Rs”. Ela envolve desde o treinamento de colaboradores para a coleta seletiva até a produção de materiais para promover a educação ambiental, como comunicados visuais que trazem informações sobre o descarte correto e aqueles que têm o propósito de divulgar as adequações na infraestrutura nas unidades, visando à economia de recursos naturais. Na minha opinião, toda parceria deve envolver uma boa comunicação, transparência e objetivos em comum. 

Algumas iniciativas ocorrem desde a implementação do programa, enquanto outras surgiram mediante demandas específicas. Em 2019, por exemplo, identificamos a necessidade de ofertar um curso de extensão em gerenciamento de resíduos comuns e resíduos em serviços de saúde e, desde então, o curso é ofertado para a comunidade (camiliana e externa) uma vez ao ano e de forma gratuita. 

Apesar de ser um programa de extensão universitária, o “Programa 5Rs” também é responsável por diversas ações realizadas nas unidades da instituição. Como exemplo, temos a coleta de resíduos específicos, as campanhas de arrecadação de resíduos recicláveis, os treinamentos, os cursos e as campanhas de conscientização. Desde 2016, a equipe do programa, com o apoio do Setor de Operações, realiza a coleta de lixo eletrônico, pilhas, baterias e filmes radiográficos. Empresas parceiras coletam o nosso resíduo e fazem a destinação ambiental correta. Campanhas de conscientização ambiental são periodicamente realizadas pelas redes sociais e por meio de comunicados visuais distribuídos nos campi

Especialmente em datas comemorativas, como o Dia Mundial da Água e o Dia Mundial do Meio Ambiente, produzimos e divulgamos conteúdos específicos. Por fim, anualmente, realizamos treinamento em gerenciamento de resíduos comuns com a Equipe de Conservação e Higiene das unidades, responsáveis pela coleta e transporte dos resíduos gerados nas nossas unidades até o abrigo de lixo. 

Trabalhar com dados quantitativos é sempre interessante e eficaz. Isso porque saímos da abstração e concretizamos os danos. Um exemplo foi a campanha de retirada dos copos plásticos nos campi, quando revelamos o consumo excessivo de copos plásticos por ano. Outra situação relevante foi quando apresentamos os números de árvores que deixaram de ser cortadas com a reciclagem do papel. 

O principal desafio, sem dúvida, é o entendimento, por parte da população, de que nós somos os responsáveis pelos problemas ambientais atuais e que também cabe a nós revertê-los por meio de mudanças em nossos hábitos.

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Penso que, para muitos, não há um senso de pertencimento em relação à natureza. Cabe a nós promovermos esse restabelecimento, essa reconexão, por meio do conhecimento e da conscientização. 

Iniciamos o ano de 2023 com uma proposta ousada: a retirada total dos copos descartáveis das copas de nossas unidades, a fim de reduzir o uso de plásticos de uso único. Hoje, ao olharmos para trás, percebemos que houve resistência à iniciativa. Porém, não desistimos! Contávamos com o apoio total do Setor de Operações e da Pró-Reitoria Acadêmica e sabíamos que, para tamanha mudança, precisaríamos ser persistentes e oferecer alternativas viáveis, como copos e xícaras de uso compartilhado. Com a passagem do tempo, os colaboradores entenderam a necessidade de adaptação e a mudança de hábito aconteceu.   

No início da minha atuação, os nossos informativos e comunicados eram, em sua maioria, impressos em papel e/ou cartazes. Com o tempo, seguindo as tendências, passamos a utilizar mais frequentemente as redes sociais para a divulgação de ações, eventos e informativos. Em 2022, criamos a websérie “Minuto 5Rs” com o objetivo de levar informações sobre descarte correto de modo instrutivo, porém mais atual e dinâmico. 

Não temos esse comparativo de forma sistematizada, pois ainda estamos trabalhando com essas informações. Contudo, em minha percepção, os colaboradores estão mais conscientes e preocupados em fazer o que é certo em relação ao meio ambiente. Penso que isso é resultado do projeto de monitoramento de descarte de papel que fazemos nos setores técnico-administrativos. Além disso, o projeto “Gincana do Descarte” tem aproximado bastante os colaboradores do “Programa 5Rs”, e essa aproximação tem sido muito positiva na mudança atitudinal. 

O Centro Universitário São Camilo demonstra ser uma instituição que lidera pelo exemplo em sustentabilidade ao adotar o “Programa 5Rs” não apenas como discurso, mas como parte efetiva de sua rotina acadêmica e administrativa.

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Essa postura se traduz em ações concretas, como a gestão responsável dos resíduos, a promoção de campanhas educativas junto à comunidade técnica-acadêmica e do entorno, a redução do uso de materiais descartáveis, a valorização de práticas de reaproveitamento de recursos naturais (implementação dos coletores de água pluvial), de economia de recursos naturais (uso de leds, painéis solares e energia renovável do mercado livre de energia) e o incentivo à extensão comunitária voltada para soluções sustentáveis. 

Ele está ensinando que os grandes problemas ambientais globais precisam ser enfrentados, mesmo que tudo se inicie em uma escala local.  Isso pode ser feito com atitudes transformadoras, como recusar produtos, repensar hábitos de consumo, reduzir desperdícios, reutilizar materiais e incentivar a reciclagem. Essas mudanças geram impacto coletivo e contribuem para um futuro sustentável.  

A máxima “Pense global, aja local”, atribuída ao ambientalista René Dubos, traz uma ideia que dialoga diretamente com o “Programa 5Rs”, já que estimula mudanças práticas de comportamento que, somadas, geram efeitos positivos globais. Aqui, formamos profissionais conscientes, mas também esperamos que as nossas ações sirvam de inspiração para outras organizações e para a sociedade, ao mostrar que é possível alinhar excelência acadêmica com responsabilidade socioambiental. 

Já está em andamento o projeto “Práticas extensionistas em saúde e meio ambiente”, que visa capacitar um grupo de discentes para atuarem em comunidades do nosso entorno. No momento, os discentes selecionados para o projeto estão passando por um processo de capacitação técnica e, posteriormente, irão realizar intervenções na área da saúde e do meio ambiente com subtemas específicos, que possam trazer melhorias para a comunidade atendida. 

Temos a expectativa de que os estudantes e profissionais da nossa instituição tenham um olhar diferenciado para os problemas do ambiente. Um olhar para agir minimizando danos, um olhar de quem se compromete em conservar os recursos naturais e que tem a compreensão de que proteger o ambiente é proteger a si mesmo e aos seus descendentes.

Agradecemos à profa. Dra. Ilka Schincariol Vercellino por compartilhar conosco sua valiosa experiência. Esperamos que suas reflexões inspirem os leitores a incorporarem práticas mais sustentáveis em seu cotidiano. 

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