A
jornada da vida acadêmica exige muito mais do que dedicação aos estudos e boas notas. É preciso que os estudantes se sintam acolhidos neste novo ambiente escolar, repleto de expectativas, cobranças e possibilidades, estando seguros de que encontrarão apoio institucional para enfrentar qualquer percalço que aparecer no caminho.
Nesse sentido, o Centro Universitário São Camilo conta com o trabalho de dois núcleos que oferecem assistência ética e humanizada à comunidade universitária, a fim de que eles se sintam acolhidos e pertencentes àquele espaço, sem deixar de considerar as suas singularidades individuais. São eles o Núcleo de Acessibilidade Pedagógica (NAPe)e o Apoio Psicológico e Psicopedagógico (Apoio Psi). Em matéria publicada no volume de maio desse ano, a revista Em Pauta São Camilo destacou a atuação desses núcleos, explicando como o(a) camiliano(a) pode consultá-los e por quais motivos.
Leia a matéria na íntegra aqui.
Um dos braços de ação desses núcleos é a publicação de materiais on-line de apoio. São cartilhas e e-books que apresentam orientações e sugestões do que fazer em determinado cenário, ou a partir de um certo ponto de reflexão, e relembram sempre a importância de pedir ajuda, pois nunca estamos sozinhos.
Um exemplo dessa produção é a coleção “Orientações e sugestões práticas”, disponível no link de “Publicações/E-books” do site do Centro Universitário São Camilo. Ela foi organizada pelas docentes Selma Marquette Molina e Gleidis Roberta Guerra, que também é coordenadora do NAPe, e é composta por duas cartilhas voltadas, cada uma, a um polo principal da estrutura acadêmica: alunos e professores. Os materiais oferecem caminhos acessíveis para lidar com os desafios cotidianos da vida universitária.
Nesta entrevista, conversamos com as organizadoras sobre os bastidores da produção, os objetivos das cartilhas e o impacto que elas esperam gerar na comunidade camiliana. Confira a seguir.

Em Pauta São Camilo: Poderiam compartilhar conosco o processo de escrita da cartilha e como foram selecionados os temas dos capítulos?
O que motivou a escrita da cartilha foram os relatos dos alunos, incluídos no NAPe, que sentiam dificuldade em apreender o conteúdo apresentado em algumas aulas devido à didática aplicada. Além disso, em oficinas realizadas pelo núcleo, os docentes apresentaram a demanda para a criação de um material de apoio sobre como preparar materiais inclusivos, que pudesse ser útil no aprendizado de todos os alunos. Esse conjunto de situações nos levou a desenvolver a cartilha em questão.
Como base para o desenvolvimento deste novo material, utilizamos a coleção “Acessibilidade Pedagógica”, relacionando a sua teoria com o que havíamos observado em nossa prática. Empregamos, também, a legislação sobre a inclusão e as indicações pedagógicas que o NAPe já faz, desenvolvendo as orientações práticas para os docentes. Os capítulos, assim, destacaram e apresentaram soluções para as questões mais recorrentes sobre como efetivar o processo inclusivo em sala de aula.
Em Pauta São Camilo: Quais são os erros e as dificuldades mais comuns relatados pelos docentes de educação superior em relação à acessibilidade? Como a cartilha ajuda a evitá-los?
Primeiramente, havia uma barreira atitudinal a ser superada. Era preciso que os docentes percebessem o potencial de aprendizado existente em cada aluno, considerando as suas particularidades, mas não as enxergando como bloqueios e, sim, como possibilidades. Assim, eles poderiam desenvolver planos de aula com recursos pedagógicos bem orientados, que resultassem em um aprendizado equitativo.
Esse apoio, inclusive, foi demandado pelos docentes, que desejavam construir aulas e atividades avaliativas que fossem inclusivas.
Assim, acreditando que o conhecimento esclarece, forma e pode provocar mudanças para melhor, investimos em criar espaços e conteúdo para a orientação docente.
– Coleção “Orientações e sugestões práticas”: conheça os bastidores e objetivos da iniciativa
A cartilha, aliás, foi desenvolvida para atender essas demandas, já que traz orientações diretas e acessíveis, criadas por pessoas que estão envolvidas com a prática de sala de aula e o processo inclusivo.
Em Pauta São Camilo: Como vocês imaginam que a cartilha pode transformar a prática docente no dia a dia? Já receberam o feedback de professores que leram e utilizaram o material?
Sim, o feedback já foi dado. Recebemos a devolutiva de professores que, ao conhecerem as possibilidades de estratégias inclusivas em sala de aula, mudaram a forma de pensar as necessidades específicas dos alunos e realizaram o exercício de apresentar o conteúdo da aula de outra maneira, além de preparar atividades avaliativas observando as orientações indicadas, com benefício para toda a classe.
Por isso, acreditamos que o conhecimento transforma atitudes e esperamos que a cartilha ofereça ferramentas para apoiar a prática docente inserida em uma cultura inclusiva.
Em Pauta São Camilo: Há planos de novas edições do material? Se sim, poderiam compartilhar conosco uma prévia?
Atualmente, estamos trabalhando em adaptações pedagógicas específicas para estágios e para a avaliação de Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE). A publicação dessas estratégias inclusivas está entre os nossos objetivos futuros.

Em Pauta São Camilo: Poderiam compartilhar conosco o processo de escrita da cartilha e como foram selecionadas as técnicas de aprendizado presentes nela?
Foi a partir dos grupos de orientação para estudos realizados mensalmente que percebemos quais eram as dificuldades mais frequentes dos estudantes em relação ao aprendizado. Nesses grupos, e nos atendimentos de acompanhamento aos alunos incluídos no NAPe, foi possível verificar quais eram as estratégias de estudos, os aplicativos e as rotinas que melhor auxiliavam na organização do material de estudo e na apreensão do conteúdo estudado. Além disso, contamos com apoio das aprendizes-discentes do NAPe para buscarem aplicativos de apoio ao estudo e aprendizagem.
A nossa proposta foi transpor para a cartilha os nossos conhecimentos, de forma lúdica e com comunicação objetiva, sendo que a maioria das atividades e estratégias propostas aos alunos pôde ser vivenciada no dia a dia de nosso trabalho. Disponibilizamos ao longo dos capítulos, assim, diversas estratégias, a fim de que o(a) próprio(a) estudante escolha a que melhor se adequa às suas necessidades.
Em Pauta São Camilo: Como vocês imaginam que a cartilha pode potencializar a rotina de estudos do(a) leitor(a)? Já receberam o feedback de estudantes que leram e utilizaram o material?
Sim, o feedback já foi dado. Aqueles(as) alunos(as) que participaram do grupo de estudos, eles(as) referiram melhora no aprendizado ao aplicarem as estratégias sugeridas na cartilha acerca da gestão de tempo e da organização de material e rotina, além do uso dos apps de exemplo. Isso também apareceu no relato dos(as) alunos(as) em processo de acompanhamento no NAPe.
Se o(a) discente seguir as orientações primordiais, com certeza haverá uma melhora positiva em seu aprendizado, independentemente da técnica que escolher.
Ter o material das aulas organizado, estabelecer uma rotina de estudo para que possa estudar todos os dias, evitando os episódios de sobrecarga temporária em época de prova, tudo isso contribui para que o estudo flua com mais qualidade.
– Coleção “Orientações e sugestões práticas”: conheça os bastidores e objetivos da iniciativa
Em Pauta São Camilo: Considerando o cenário atual de intenso uso de tecnologias de inteligência artificial (IA) como apoio aos estudos, qual é o lugar das técnicas tradicionais de aprendizagem e como elas poderão se atualizar no futuro?
É fundamental que o(a) aluno(a) compreenda a IA como mais uma ferramenta de apoio ao estudo, entre tantas outras. É evidente que precisamos nos debruçar sobre o fenômeno presente da inteligência artificial e o impacto de seu uso na relação ensino-aprendizagem. Contudo, com ou sem a IA, ainda é necessário construir uma boa rotina de estudos, ser organizado(a) e saber gerir o seu tempo.
Para aqueles que gostam de estudar com o apoio de recursos tecnológicos, oferecemos, na própria cartilha, algumas opções de uso de apps e sites a serem utilizados nessa jornada.
Em Pauta São Camilo: Há planos de novas edições do material? Se sim, poderiam compartilhar conosco uma prévia?
O campo da inclusão está sempre em movimento. Com o advento da IA, surgirão outros desafios para o ensino e a aprendizagem. Assim, esperamos ter a oportunidade de explorar este tema e apresentar novos conhecimentos a respeito no futuro.







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