Tecnologia no cuidado humano: a inteligência artificial potencializando a área da Saúde

Tecnologia no cuidado humano: a inteligência artificial potencializando a área da Saúde

Imagem de capa: conteúdo gerado por Inteligência Artificial (IA).

uso de inteligência artificial (IA) na área da saúde consolidou-se, ao longo dos últimos anos, como uma forma de otimizar a rotina de hospitais, clínicas e centros de saúde. Em matéria publicada em outubro de 2024, o site UpFlux destaca um dado interessante levantado pelo instituto de pesquisa alemão Statista que revela que, entre 2021 e 2030, o mercado de inteligência artificial terá um crescimento de mais de 1.600%. Isso demonstra a força de investimento e aplicação da tecnologia neste setor à nível mundial, inclusive no Brasil, que determinou como prioritária a sua discussão em reunião do BRICS realizada em julho deste ano. 

Foi apresentado o projeto para a construção do “primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS)” pelo Ministério da Saúde (MS) ao banco do BRICS, o Novo Banco do Desenvolvimento (NDB). De acordo com o site de notícias do MS, foi solicitado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um financiamento de US$ 320 milhões, aprovado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), à presidenta do NDB, Dilma Rousseff em julho de 2025. A pasta aguarda a análise da instituição financeira. 

Essa proposta exemplifica bem o cenário atual da saúde no mundo e como o caminho inevitável tornou-se o da integração entre ciência e tecnologia. Intitulado “Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil)”, o projeto terá como sede a capital paulista e é uma parceria do Ministério da Saúde com a Universidade de São Paulo (USP), polo intelectual do Brasil. Na notícia, destaca-se também as possíveis estratégias de ação do “hospital inteligente”, entre elas disponibilização do sistema de telessaúde, a conexão de ambulâncias à internet 5G, a automação hospitalar e o uso integrado de prontuários eletrônicos. É dito, por fim, que a China figura como um modelo de inspiração para este e os próximos passos do Governo na saúde. 

A revista Em Pauta São Camilo publicou, no volume de maio desse ano, um texto que discute as promessas da IA no setor. Escrita pelo professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Prof. Dr. Rudolf Theoderich Bühler, a matéria, intitulada O impacto da inteligência artificial na saúde: inovação e desafios”, traz exemplos positivos do uso de tecnologia na rotina hospitalar, tanto em diagnóstico clínico, quanto em gestão. Contudo, Bühler se propõe igualmente à reflexão crítica e pontua as implicações éticas atreladas à desumanização de processos que são cruciais à manutenção do bem-estar do(a) paciente.

“Assim como no setor automotivo, a IA na saúde exige diretrizes claras para definir responsabilidades, garantindo que a tecnologia seja aplicada com segurança e responsabilidade, sem que a tomada de decisão fique exclusivamente a cargo da máquina”, pontua.

– Tecnologia no cuidado humano: a inteligência artificial potencializando a área da Saúde

Leia a matéria na íntegra aqui

Para aprofundar essa discussão e ilustrar como tais ferramentas auxiliam o setor, apresentamos a seguir alguns exemplos concretos do uso da IA na área da saúde. 

Monitoramento e apoio às decisões profissionais 

Analisar o(a) paciente é fundamental para o planejamento do(a) profissional de saúde e a IA se sobressai, nesse processo, facilitando o monitoramento constante e permitindo com que previsões possam ser feitas a partir da coleta de um volume de dados extenso em um espaço de tempo menor do que era possível anteriormente. 

O site da LeanSaúde, empresa brasileira que trabalha com soluções tecnológicas para a área da saúde, traz o exemplo do Somatix, uma solução de telemonitoramento desenvolvida nos Estados Unidos, cuja interface pode ser utilizada no acompanhamento de pacientes em cuidado de longa duração, idosos e adictos. Outro caso que aparece na matéria é o da startup brasileira Laura. Por meio de computação cognitiva e machine learning, ela se conecta remotamente ao sistema de uma unidade hospitalar e processa as informações dos pacientes nela catalogadas. A partir disso, o robô pode atuar no monitoramento dos dados vitais de um(a) paciente, auxiliando na previsão, neste caso em específico, de sepse e permitindo a mediação profissional precoce. Outro monitoramento possível é na previsão do déficit de bancos de sangue.  

Ainda no campo de apoio às decisões médicas, a Neomed desenvolveu uma IA que realiza a triagem de eletrocardiogramas, identificando anormalidades e auxiliando os(as) médicos(as) a chegarem a um diagnóstico com mais precisão e rapidez. A tecnologia também pode aparecer em recursos mais próximos ao nosso dia a dia, a exemplo dos dispositivos vestíveis. Em matéria publicada em julho, o site da CTC, empresa brasileira especializada em soluções tecnológicas, lembra uma possível função do Apple Watch e o Fitbit, conseguindo detectar condições como apneia do sono, ritmo cardíaco, entre outros. É a IA na palma da mão. 

Na pesquisa e na prática 

A inteligência artificial também tem se consolidado como uma ferramenta essencial para acelerar descobertas, aprimorar diagnósticos e transformar a pesquisa científica na área da saúde. Uma notícia publicada pelo Conselho de Enfermagem (Cofen), em 2024, relembra o caso de maior repercussão em termos de pesquisa: o lançamento do AlphaFold, produto da empresa DeepMind do Google. Tendo por base o deep learning, o programa apresenta a estrutura dobrada de uma proteína a partir da base sequencial de aminoácidos que o(a) pesquisador(a) fornece ao sistema. A matéria da Cofen também traz o exemplo do projeto mirTHYpe, desenvolvido pela Onkos Diagnósticos Moleculares, cuja IA auxilia na classificação mais precisa de nódulos de tireoide difíceis de serem identificados.  

Mais um modelo de IA aplicada à rotina prática do ambiente de saúde é a plataforma SafeOne, criada pela startup Safety Soluções. Em matéria da revista Medicina S/A, é explicado que o software analisa os dados operacionais de equipamentos radiologistas, mensurando o tempo de vida útil desses aparelhos e o período ideal em que ele terá níveis aceitáveis de eficiência e credibilidade nos resultados de exames. 

Por fim, duas aplicações interessantes da IA na saúde apresentadas em matéria do site CTC são na parte de cirurgia e personalização de tratamento. O da Vinci® Surgical System permite que cirurgiões realizem procedimentos minimamente invasivos complexos com precisão, por meio do uso de uma plataforma robotizada. Já o Watson for Oncology, desenvolvido pela IBM, chegou com a proposta de analisar um grande volume de dados e sugere opções de tratamento com maior chance de sucesso. 

Esses exemplos evidenciam como a inteligência artificial está cada vez mais integrada ao cotidiano da saúde, oferecendo soluções inovadoras que ampliam a precisão, a eficiência e a personalização dos cuidados médicos. Com o avanço contínuo da tecnologia, espera-se que novas aplicações surjam, transformando ainda mais a forma como se pesquisa, diagnostica e trata.

Referências

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Siga a gente nas redes sociais!
Encarregado de Dados Pessoais: Lee Brock Camargo Advogados