{"id":983,"date":"2025-08-07T15:10:36","date_gmt":"2025-08-07T15:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/empauta.saocamilo-sp.br\/?p=983"},"modified":"2025-08-07T15:12:50","modified_gmt":"2025-08-07T15:12:50","slug":"grupo-focal-como-estrategia-de-combate-ao-racismo-no-ensino-superior-a-experiencia-do-nucleo-de-direitos-humanos-e-saude-mentaldo-centro-universitario-sao-camilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/empauta.saocamilo-sp.br\/?p=983","title":{"rendered":"Grupo focal como estrat\u00e9gia de combate ao racismo no ensino superior: a experi\u00eancia do N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental\ndo Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap has-secondary-color has-text-color has-link-color wp-elements-d7dd0ab2dae7bbe5cd0f393a3284d0ca\">O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">racismo estrutural permanece como um desafio significativo, profundamente enraizado nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras, inclusive no ensino superior. Apesar de avan\u00e7os importantes proporcionados por pol\u00edticas afirmativas, o ambiente universit\u00e1rio ainda \u00e9 marcado por desigualdades hist\u00f3ricas e estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Nesse sentido, o percentual de professores negros no ambiente universit\u00e1rio brasileiro ainda \u00e9 muito baixo: apenas 21% dos docentes do ensino superior se autodeclaram pretos (2,9%) ou pardos (18,1%)<sup data-fn=\"84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b\" class=\"fn\"><a href=\"#84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b\" id=\"84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b-link\">1<\/a><\/sup>, segundo dados do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/pesquisas-estatisticas-e-indicadores\/censo-da-educacao-superior\/resultados\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/pesquisas-estatisticas-e-indicadores\/censo-da-educacao-superior\/resultados\">Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior<\/a> de 2023<sup data-fn=\"5add7959-cec0-4b95-be31-bca242ea8d7f\" class=\"fn\"><a href=\"#5add7959-cec0-4b95-be31-bca242ea8d7f\" id=\"5add7959-cec0-4b95-be31-bca242ea8d7f-link\">2<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Isso significa que a expans\u00e3o da presen\u00e7a de estudantes pretos e pardos no ensino superior, que representam cerca de 48% das vagas, ainda n\u00e3o se refletiu de forma significativa no corpo docente, indicando que a falta de representatividade afeta o senso de pertencimento dos alunos negros, limita a diversidade acad\u00eamica e permite a perpetua\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias estruturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Esse cen\u00e1rio demanda das institui\u00e7\u00f5es educacionais n\u00e3o apenas o reconhecimento formal da diversidade, como tamb\u00e9m a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e metodologicamente embasadas que sejam capazes de enfrentar e transformar essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Diante disso, o <strong><em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/saocamilo.ndhsm\/\">N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental (NDHSM)<\/a><\/em><\/strong> do <strong><em><a href=\"https:\/\/saocamilo-sp.br\/\">Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/a><\/em><\/strong> idealizou a realiza\u00e7\u00e3o de grupos focais como ferramenta estrat\u00e9gica para combater o racismo institucionalizado e promover um ambiente acad\u00eamico inclusivo e saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">O objetivo deste texto \u00e9 apresentar conceitualmente a proposta metodol\u00f3gica planejada pelo <strong><em>N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental (NDHSM)<\/em><\/strong>, destacando como os grupos focais podem contribuir para uma reflex\u00e3o cr\u00edtica e coletiva sobre o racismo e seus impactos, especialmente relacionados \u00e0 sa\u00fade mental da comunidade acad\u00eamica negra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-poppins-font-family has-large-font-size\"><strong>O <em>N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental<\/em> do <em>Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">O <strong><em>N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental (NDHSM)<\/em><\/strong> foi criado em 2020 com o objetivo de fomentar, no \u00e2mbito do <strong><em>Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong>, uma cultura institucional pautada na defesa dos direitos humanos, na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade e na promo\u00e7\u00e3o do bem-estar psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Entre seus principais objetivos est\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o da comunidade camiliana em pautas estrat\u00e9gicas de direitos humanos e o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es transversais com foco na sa\u00fade mental, equidade e justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Nesse sentido, desde sua cria\u00e7\u00e3o, o n\u00facleo tem realizado campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o, grupos de estudos, eventos acad\u00eamicos e iniciativas voltadas \u00e0 escuta e ao acolhimento de estudantes, docentes e demais membros da comunidade universit\u00e1ria.<\/p><cite><strong><em>&#8211; Grupo focal como estrat\u00e9gia de combate ao racismo no ensino superior: a experi\u00eancia do N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental<br>do Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong><\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Entre os projetos j\u00e1 realizados, destacam-se o <strong><em>\u201cN\u00e3o Se Cale\u201d<\/em><\/strong>, voltado ao enfrentamento da viol\u00eancia de g\u00eanero em parceria com a <a href=\"https:\/\/saocamilo-sp.br\/extensao-comunitaria\/\"><strong><em>Extens\u00e3o Universit\u00e1ria<\/em><\/strong><\/a>, e o <strong><em>\u201cFelicidade na Academia\u201d<\/em><\/strong>, que investigou a sa\u00fade mental discente a partir de uma abordagem interdisciplinar sobre felicidade e bem-estar no ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">No ano de 2024, o <strong><em>NDHSM<\/em><\/strong> focou em tr\u00eas grandes frentes de atua\u00e7\u00e3o. A primeira foi o <strong><em>\u201cProjeto de Letramento Antirracista\u201d<\/em><\/strong>, que busca promover a conscientiza\u00e7\u00e3o e o enfrentamento ao racismo estrutural por meio de forma\u00e7\u00f5es, debates e espa\u00e7os de escuta qualificada entre estudantes e docentes negros e negras, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o de eventos acad\u00eamicos voltados \u00e0 tem\u00e1tica dos direitos antidiscriminat\u00f3rios. A segunda frente foi o <strong><em>\u201cProjeto Sa\u00fade Mental Comunit\u00e1ria\u201d<\/em><\/strong>, voltado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do bem-estar da comunidade acad\u00eamica, com a implanta\u00e7\u00e3o de salas de descompress\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de estudantes escutadores volunt\u00e1rios e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre sa\u00fade mental no ensino superior. Por fim, a terceira frente foi o \u201cProjeto da Cartilha dos Direitos do Paciente LGBTQIAPN+\u201d, que visa elaborar um material educativo voltado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica e inclusiva de profissionais da sa\u00fade, com foco no acolhimento, no respeito \u00e0 diversidade e na garantia de direitos dessa popula\u00e7\u00e3o no contexto do cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Entre essas a\u00e7\u00f5es, destaca-se o subprojeto <strong><em>\u201cGrupo Focal Antirracista\u201d<\/em><\/strong>, cuja experi\u00eancia ser\u00e1 abordada a seguir e que consiste em um espa\u00e7o de escuta, pertencimento e constru\u00e7\u00e3o coletiva de estrat\u00e9gias institucionais de inclus\u00e3o no ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-poppins-font-family has-large-font-size\"><strong>O grupo focal como m\u00e9todo qualitativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">O Grupo Focal (GF) \u00e9 uma t\u00e9cnica de investiga\u00e7\u00e3o qualitativa que re\u00fane um pequeno grupo de pessoas para discutir um tema espec\u00edfico, permitindo a coleta de opini\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es. A partir da intera\u00e7\u00e3o entre os membros do grupo, h\u00e1 a compreens\u00e3o e o aprofundamento sobre uma determinada tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Por favorecer a liberdade de express\u00e3o, principalmente ofertando o acolhimento frente \u00e0 possibilidade de externar sentimentos, expectativas, impress\u00f5es e opini\u00f5es, o grupo focal se torna um espa\u00e7o que promove interlocu\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es em torno de alguns t\u00f3picos, que s\u00e3o destacados a partir do tema central.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">\u00c0 frente do grupo encontra-se o moderador, incumbido de promover um ambiente seguro e respeitoso, garantindo que todos os participantes se sintam \u00e0 vontade para compartilhar opini\u00f5es, experi\u00eancias pessoais, perspectivas e percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Dentro desse contexto, torna-se necess\u00e1rio criar um conjunto de regras claras desde o in\u00edcio para ajudar a criar um espa\u00e7o colaborativo e seguro, em que todos os participantes sejam incentivados a participar. A intera\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o aprofundamento das discuss\u00f5es, possibilitando a revela\u00e7\u00e3o de novos aspectos e novos olhares relacionados aos temas em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">\u00c9 fundamental identificar quem deve participar. Para isso, deve-se escolher indiv\u00edduos com viv\u00eancias ou perspectivas relacionadas \u00e0 tem\u00e1tica para garantir representatividade e diversidade. \u00c9 necess\u00e1rio informar o participante, previamente, sobre os aspectos do formato e da confidencialidade da discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Esse m\u00e9todo de manejo da experi\u00eancia grupal \u00e9 uma ferramenta poderosa, especialmente para explorar temas complexos, como o combate ao racismo no ensino superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-poppins-font-family has-large-font-size\"><strong>A proposta metodol\u00f3gica do grupo focal antirracista do NDHSM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Institu\u00eddo para promover a reflex\u00e3o coletiva entre estudantes e professores negros da institui\u00e7\u00e3o, o grupo focal antirracista idealizado pelo <strong><em>NDHSM<\/em><\/strong> busca estimular a empatia, compartilhar viv\u00eancias e aprofundar o debate sobre quest\u00f5es raciais. Em conson\u00e2ncia com a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm\">Lei n\u00ba 10.639\/03<\/a>, essa abordagem fortalece as discuss\u00f5es e incentiva um entendimento mais amplo acerca das din\u00e2micas e a\u00e7\u00f5es institucionais de enfrentamento do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Iniciado em 2024, o grupo \u00e9 constitu\u00eddo por alunos e professores negros, que inicialmente foram convidados a participar e, em seguida, encorajados a convidar seus pares. Conv\u00e9m destacar que todos os integrantes s\u00e3o de ascend\u00eancia afro, abrangendo professores de diferentes cursos, com variados tempos de institui\u00e7\u00e3o, e alunos de diversas \u00e1reas acad\u00eamicas e contextos socioecon\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Os encontros do grupo ocorrem mensalmente, predominantemente de forma presencial, mas com a op\u00e7\u00e3o de formato h\u00edbrido quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>O ambiente acolhedor, franco e corajoso tem estimulado os participantes a expressar suas opini\u00f5es e a relatar experi\u00eancias pessoais relacionadas \u00e0 dor e ao sofrimento provocados pelo racismo dentro e fora do ambiente acad\u00eamico.<\/p><cite><strong><em>&#8211; Grupo focal como estrat\u00e9gia de combate ao racismo no ensino superior: a experi\u00eancia do N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental<br>do Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong><\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">A partir dessa catarse coletiva, o grupo se fortaleceu, se uniu e discutiu estrat\u00e9gias de enfrentamento das estruturas sociais discriminat\u00f3rias que permeiam o ensino superior. O empoderamento do grupo fez com que propostas de a\u00e7\u00f5es fossem discutidas, tais como a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de representatividade, explora\u00e7\u00e3o do potencial vocal dos docentes, e a promo\u00e7\u00e3o de debates sobre a viol\u00eancia simb\u00f3lica contra pessoas negras na forma\u00e7\u00e3o e nas atividades acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-poppins-font-family has-large-font-size\"><strong>A\u00e7\u00f5es institucionais antirracistas realizadas a partir e pelo grupo focal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">No decorrer dos encontros realizados no ano de 2024, o <strong><em>Grupo Focal Antirracista<\/em><\/strong> ganhou autoridade ao envolver-se em diversas a\u00e7\u00f5es institucionais de combate ao racismo estrutural. No primeiro encontro foram utilizadas fotos de alunos, professores e funcion\u00e1rios, feitas pelo <em>Marketing<\/em> da faculdade, para demonstrar a diversidade de tons de pele dos camilianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Houve a participa\u00e7\u00e3o massiva dos componentes do grupo em eventos institucionais, como o desenvolvido pela disciplina de Multiculturalismo, denominado <strong><em>\u201cLetramento Antirracista\u201d<\/em><\/strong>, bem como o organizado pelo <strong><em>NDHSM<\/em><\/strong>, no m\u00eas da Consci\u00eancia Negra, o <strong><em>II Congresso de Direitos Antidiscriminat\u00f3rios<\/em><\/strong>. A presen\u00e7a do grupo nesses eventos foi marcada especialmente por uma apresenta\u00e7\u00e3o musical, aclamada pelos presentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Entre as iniciativas desenvolvidas a partir e pelo grupo focal, destaca-se ainda uma a\u00e7\u00e3o de <em>marketing<\/em> para o Dia Nacional de Zumbi e da Consci\u00eancia Negra. O grupo reuniu fotos de seus integrantes e frases marcantes, que afirmavam: \u201cSim, n\u00f3s reexistimos!\u201d. Essa campanha teve como mote a postagem nas redes sociais institucionais de que professores negros existem, est\u00e3o e fazem parte do corpo docente do <strong><em>Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Simultaneamente, a pedido do pr\u00f3prio grupo, organizou-se um levantamento de autores negros e obras sobre africanidades dispon\u00edveis na biblioteca da institui\u00e7\u00e3o de ensino. Em seguida, ampliou-se o convite para a participa\u00e7\u00e3o no grupo, englobando alunos do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivoaquilombarsc\/?g=5\"><strong><em>\u201cColetivo Aquilombar\u201d<\/em><\/strong><\/a> e, de forma mais abrangente, estudantes negros matriculados nos diferentes cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">No \u00faltimo encontro de 2024, o grupo voltou-se para a pr\u00f3pria ancestralidade, levantando a quest\u00e3o \u201cconhecemos a hist\u00f3ria da \u00c1frica?\u201d e provocando reflex\u00f5es sobre a liga\u00e7\u00e3o com as mais de 4 milh\u00f5es de pessoas sequestradas do continente africano e trazidas para o Brasil como escravizadas. A discuss\u00e3o evidenciou o quanto realmente conhecemos sobre a l\u00edngua e a hist\u00f3ria de nossos antepassados, destacando a necessidade de partir do presente para investigar as pr\u00f3prias origens e, finalmente, chegar ao passado. Esse percurso refor\u00e7a a relev\u00e2ncia de reconhecer e valorizar a heran\u00e7a africana que comp\u00f5e nossa identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Para o ano de 2025, foram definidas a\u00e7\u00f5es que incluem a organiza\u00e7\u00e3o de leituras e estudos sobre a \u00c1frica e autores negros, a elabora\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores geneal\u00f3gicas dos participantes e a conex\u00e3o desses dados \u00e0 ancestralidade africana por meio da arte, da l\u00edngua, da cultura e dos movimentos hist\u00f3ricos que trouxeram a popula\u00e7\u00e3o afro para o Brasil. O objetivo \u00e9, assim, aprofundar o entendimento sobre a pr\u00f3pria heran\u00e7a cultural, refor\u00e7ando a necessidade de conhecer quem somos para levar nossa hist\u00f3ria adiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-poppins-font-family has-large-font-size\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">As iniciativas do <strong><em>Grupo Focal Antirracista<\/em><\/strong>, que v\u00e3o desde a participa\u00e7\u00e3o em eventos acad\u00eamicos at\u00e9 a campanha de <em>marketing<\/em> que reafirma a presen\u00e7a negra na institui\u00e7\u00e3o e o mapeamento de autores negros na biblioteca, evidenciam seu potencial para fomentar debates e a\u00e7\u00f5es contra o racismo de maneira concreta. Ao ultrapassarem a esfera te\u00f3rica, essas atividades refletem um compromisso institucional efetivo com a inclus\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>A oportunidade de se expressar, ser escutado e construir, coletivamente, uma vis\u00e3o acad\u00eamica antirracista tem sido outro ganho desse grupo. Ao reunir professores de diversas \u00e1reas e alunos de diferentes contextos socioecon\u00f4micos, esse espa\u00e7o vem consolidando la\u00e7os de solidariedade e legitimidade institucional, transformando reflex\u00f5es abstratas em a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas.<\/p><cite><strong><em>&#8211; Grupo focal como estrat\u00e9gia de combate ao racismo no ensino superior: a experi\u00eancia do N\u00facleo de Direitos Humanos e Sa\u00fade Mental<br>do Centro Universit\u00e1rio S\u00e3o Camilo<\/em><\/strong><\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">A din\u00e2mica de encontros mensais e a constante abertura a novos participantes demonstram a busca cont\u00ednua por uma rede de acolhimento e empatia, em que a hist\u00f3ria e a viv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra s\u00e3o respeitadas e enaltecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Cada iniciativa desenvolvida at\u00e9 agora \u2013 seja nas redes sociais, em eventos acad\u00eamicos, por meio de campanhas de reafirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a negra ou no aprofundamento bibliogr\u00e1fico sobre africanidades \u2013 refor\u00e7a o papel estrat\u00e9gico dos grupos focais no enfrentamento ao racismo no contexto acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-medium-font-size\">Al\u00e9m de promover uma reflex\u00e3o coletiva essencial para a sa\u00fade mental da comunidade acad\u00eamica negra, essas a\u00e7\u00f5es estimulam a constru\u00e7\u00e3o de um ambiente universit\u00e1rio verdadeiramente inclusivo. Em suma, essa experi\u00eancia demonstra como a pr\u00e1tica do grupo focal antirracista pode mobilizar a institui\u00e7\u00e3o em torno de uma causa fundamental: a luta contra o racismo em todas as suas express\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-poppins-font-family has-x-small-font-size\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes has-xx-small-font-size has-nunito-font-family\"><li id=\"84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b\">BRASIL DE FATO. Consci\u00eancia Negra: magist\u00e9rio superior conta com apenas 2,9% de professores autodeclarados pretos. 18 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/11\/18\/consciencia-negra-magisteriosuperior-conta-com-apenas-2-9-de-professores-autodeclarados-pretos\/. Acesso em: 1\u00ba abr. 2025. <a href=\"#84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"5add7959-cec0-4b95-be31-bca242ea8d7f\">BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira \u2013 INEP. Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior: resultados. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/inep\/pt-br\/areas-de-atuacao\/pesquisas-estatisticas-e-indicadores\/censo-da-educacao-superior\/resultados. Acesso em: 1\u00ba abr. 2025. <a href=\"#5add7959-cec0-4b95-be31-bca242ea8d7f-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p class=\"has-nunito-font-family has-xx-small-font-size\">          CARINE, B\u00e1rbara. Como ser um educador antirracista. S\u00e3o Paulo: Planeta do Brasil, 2023. 160 p.<br>          GATTI, B. A. Grupo focal na pesquisa em Ci\u00eancias Sociais e Humanas. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Autores Associados, 2012.80 p.<br>          INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT\u00cdSTICA (IBGE). Desigualdades sociais por cor ou ra\u00e7a no Brasil. Estudos e pesquisas: informa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e socioecon\u00f4mica. Bras\u00edlia, n. 41, 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101681_informativo.pdf. Acesso em: 1\u00ba abr. 2025.<br>          MEIRA, Marcel R. M. M (org.). Multiculturalismo: diversidade e direitos humanos na contemporaneidade. S\u00e3o Paulo: Matrioska Editora, 2023. 185 p.<br>          MOKHTAR, Gamal (ed.). \u00c1frica antiga. 2\u00aa ed. rev. Bras\u00edlia\/DF: Unesco, 2010. 943 p. (Hist\u00f3ria Geral da \u00c1frica).<br>          RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019. 135 p.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-right has-poppins-font-family has-medium-font-size\"><strong>Autoras<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-nunito-font-family has-small-font-size\" style=\"font-style:italic;font-weight:400\">Sonia Maria Soares Rodrigues Pereira<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1295937465880669\" data-type=\"link\" data-id=\"lattes.cnpq.br\/1295937465880669\">lattes.cnpq.br\/1295937465880669<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-nunito-font-family has-small-font-size\" style=\"font-style:italic;font-weight:400\">Edna Silva Costa<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2691700806652686\" data-type=\"link\" data-id=\"lattes.cnpq.br\/2691700806652686\">lattes.cnpq.br\/2691700806652686<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Lydiane Regina Fabretti Streapco<\/em><br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0089223927505343\">lattes.cnpq.br\/0089223927505343<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-nunito-font-family has-small-font-size\" style=\"font-style:italic;font-weight:400\">Marina de Neiva Borba<br><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1321321041290494\" data-type=\"link\" data-id=\"lattes.cnpq.br\/1321321041290494\">lattes.cnpq.br\/1321321041290494<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O racismo estrutural permanece como um desafio significativo, profundamente enraizado nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras, inclusive no ensino superior. Apesar de avan\u00e7os importantes proporcionados por pol\u00edticas afirmativas, o ambiente universit\u00e1rio ainda \u00e9 marcado por desigualdades hist\u00f3ricas e estruturais. Nesse sentido, o percentual de professores negros no ambiente universit\u00e1rio brasileiro ainda \u00e9 muito baixo: apenas 21% dos docentes&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1000,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"BRASIL DE FATO. Consci\u00eancia Negra: magist\u00e9rio superior conta com apenas 2,9% de professores autodeclarados pretos. 18 nov. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/11\/18\/consciencia-negra-magisteriosuperior-conta-com-apenas-2-9-de-professores-autodeclarados-pretos\/. Acesso em: 1\u00ba abr. 2025.\",\"id\":\"84bbe169-df7d-4d75-b6fa-f3b84e69164b\"},{\"content\":\"BRASIL. 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